quinta-feira, maio 12, 2005

Ainda o S. josé

Tinha decidido ir passar o dia ao meu novo esconderijo- o estudio do 11º frente. A solidão pesava mais do que em outro dia qualquer pelo que sentia a necessidade de estar só. Trazia a velha cafeteira electrica, um ramo de hortelã-pimenta acabadinha de colher no jardim lá de casa e o meu cd preferido: "Só" do Jorge palma. Quando subi as escadas do patamar deparei-me com o inspector Segredo que saía e entrava no r/ch esq. Senti um baque quando fui interpelada por ele. Queria saber se eu vivia ali, se conhecia o Sr josé, se lhe conhecia hábitos estranhos, amigos?...
Não, não lhe conhecia os hábitos e quase não o conhecia a ele. E, também não morava ali, embora tivesse um estudio alugado no prédio. Olhou-me com desconfiança mas despediu-me, secamente, depois de me informar que o porteiro havia sido encontrado morto. Apanhei o elevador, não sem antes dar uma espreitadela para dento do r/ch esq onde estava tudo escrupulosamente arrumado. A informação adicional de que a morte se teria devido a paragem cardíaca causada por motivo indeterminado fez-me associar-lhe as pernas, bem torneadas, as micro-saias e as camisolas transparentes da menina do 5º C. Tentei afastar a ideia e continuei a subir. Abri a porta e entrei, ouvindo os miados dos gatos da vizinha das trazeiras. A solidão ainda estava lá mas a pena de mim mesma tinha desaparecido. Pareceu-me que seria imprescindível determinar a causa da morte do sr José mas, mais importante do que isso, tentar saber o que se faria com os seus restos mortais... teria confidenciado a alguém os seus últimos desejos? Teria familiares? Iria ter um funeral condigno? Preferiria ser cremado? Talvez o André do 6º esq. soubesse de alguma coisa... Comecei a descer as escadas...

mar

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