quarta-feira, maio 18, 2005

Histórias de mulheres de 40

Voltei ao meu estúdio. Por um lado tenho os gatos da vizinha para cuidar(deixou-me a chave debaixo do tapete) mas por outro precisava de estar só para pensar. Os gatos olharam-me desconfiados, enfiados no canto da marquise. Devem ser para aí uns 10. Com tempo consigo conquistar-lhes a confiança. Por hoje fiquei, apenas, algum tempo a observá-los. O comedouro ainda estava cheio de comida seca mas mudei a água.
Quando voltei, sentei-me na cadeira de baloiço com o cd do jorge palma... Tb eu me sinto "frágil", tb eu quero ir morar para o "bairro do amor"... Talvez este prédio seja o mais próximo desse bairro e por isso venho para aqui lamber as minhas feridas...
Depois do funeral, peguei numa chávena de chá e fui bater a casa da pintora (Alexandra- soube depois). Conversámos durante muito tempo, de tudo e de nada... Parecíamos velhas amigas. Ela, saparada há 5 anos, trocada por uma miúda que quase podia ser sua filha, nem por isso se mostrava amargurada.Eu efectivamente casada há 20 anos mas a sentir-me desamparada...Ela continua a levar a sua vida dedicada à pintura (a casa é uma verdadeira galeria, com quadros espalhados por todo o lado, da cozinha à casa de banho). Tem algumas coisas muito interessantes (a mim, que não percebo nada de correntes pictóricas, parece-me impossível que ainda não tenha sido descoberta!). Talvez não esteja verdadeiramente interessada em mostrar o seu trabalho. De contrário, movendo-se ela no meio artístico, dirigindo a pequena galeria na baixa, teria encontrado alguém interessado...não sei, isto é mera especulação, uma vez que, nada falámos acerca disto. Manifestei um especial interesse por uma tela pintada em tons muito escuros, com uma mancha vermelha que parecia a explosão de uma gargalhada. A associação ao "jeremias" do jorge palma foi tão forte que fiquei especada na sua frente. Ofereceu-ma. Continuo a achá-la muito bonita nas suas roupas alegres e descontraídas. Tem mãos especialmente belas, esguias que move continuamente (fala com elas). Parecem desenhadas, propositadamente, para uma artista que trabalha com as mãos.
Ainda não lhe falei muito de mim, uma vez que vim para este local na tentativa de me encontrar. Quando nos despedimo-nos as nossas mão tocaram-se levemente...
Vivo da magia de um abraço. Aconteceu há 4 anos e, foi de tal maneira mágico que ainda hoje não me consegui libertar... Não posso e, nem quero. Preciso dessa lembrança para levar a minha vida em frente. Talvez venha a discutir este assunto com a Alexandra...talvez ela ajude à minha libertação... talvez (tanta coisa)...

2 comentários:

Just...Blue disse...

se algum dia nao puderes dar comida aos gatinhos, eu estou perto e tb posso dar uma ajuda ;)

impressaodigital disse...

ai jorge palma...gosto tanto! :)