terça-feira, novembro 01, 2005

Deslindando os mistérios...

Meti a chave à porta."Não deixei a porta aberta"- pensei- "tenho a certeza que a fechei!". Empurrei devagarinho e entrei, sem fazer barulho, com a carteira em riste!... Um cheiro bom fez-me "crescer água na boca". Barulho na cozinha?!...
-Jorge!
- Estou a fazer uns "ovos à moi même" -disse, rindo, ao mesmo tempo que se me dirigia e me pousava um beijo na testa- Não tens vinho do Porto?
- No armário que está por cima do frigorífico.
- Pareces cansada!... Vai tomar um banho enquanto eu acabo isto.
Agradeci. Tinha tido um dia esgotante com aulas durante a tarde toda. Estava, realmente, estourada! Dirigi-me, directamente, para o quarto de banho. Apetecia-me meter-me num longo banho de emersão, cheio de espuma e sais! Mas não, o meu lado ecológico não me permitia tal desperdício de água... contentei-me com uma chuveirada de cinco minutos e a muita espuma feita, pela esponja, sobre a pele. Acendi algumas velas de alfazema e procurei o gel com o mesmo cheiro. Aquele aroma tinha um efeito milagroso sobre o meu organismo!
Regressei à cozinha, com os cabelos envoltos numa toalha e um roupão sobre a pele, ainda, húmida. A mesa estava linda, nos seus dois lugares, com candelabros que eu nunca tinha visto.
Fiquei a olhá-lo, da porta, sem fazer barulho. Virou-se, lentamente. Parecia ter o dom de adivinhar a minha proximidade.
- Estás linda!- e dirigiu-se ao meu encontro- não. Tu és linda!
Sorri. Tocou-me numa mecha de cabelo que tentou recolocar por debaixo da toalha. Pousou-me um beijo suave nos lábios e um outro no pescoço. O roupão descaíu um pouco no ombro, facto que ele aproveitou para o acariciar com os lábios, muito ao de leve, com pequenos beijos que me faziam estremecer... uma das suas mãos deslizou até á base do seio onde ficou a brincar, ao de leve, com os dedos. Divertia-se ao ver aumentar o ritmo da minha respiração. Sorria!
- Tenho de me ir vestir - lembrei-me da primeira vez que fizemos amor e tive medo - Preciso de ir buscar a Joana.
- Onde?
_ A casa da Inês
- Vai lá- a sua voz não parecia denotar quaisquer contrariedades - enquanto eu acabo o jantar.
Quando voltámos, havia um terceiro prato na mesa e as velas haviam desaparecido. Jantámos. Brincou um pouco com a minha filha e esperou que eu a deitasse.
- Não sei se é, éticamente, correcto estar, aqui, contigo...
- Porque dizes isso? - surpreendi-me.
-havia impressões digitais tuas, numa caneca, em casa da Marília- a do 11º que apareceu morta...
- O que faz de mim uma suspeita?!
- Não te posso responder... Estamos a investigar o marido que não tem alibi...
- Eu disse ao teu colega que, provavelmente, fui a última pessoa a vê-la viva. Tinhamos estado a tomar chá no ínicio da tarde em que apareceu morta.
- Sim. As tuas impressões estavam numa das canecas que estavam no lava-loiça. As duas canecas, sobre a mesa, estavam completamente "limpas" sem quaisquer tipo de impressões. Embora uma delas estivesse quase cheia de chá na vazia havia vestígios de organofosaforados...

4 comentários:

mar disse...

desculpem a gralha pq eu queria dizer organofosforados e~não o que ficou escrito

margarida

BlankPage disse...

Mesmo assim...organokê?? preciso ir ao dicionário..:/

mar disse...

vulgo "remédio dos escaravelhos". Melhor assim?
margarida

Heavenlight disse...

Bem, isto promete... está a ficar muito interessante, sem dúvida. Parabéns!