segunda-feira, maio 22, 2006

O Tempo Nunca Volta (Parte 2)

O telem´vel tocou, precisamente, quando eu deixava o ginásio. Era o Luciano.
- Sim?!
- Olá! Como estás? -perguntou do outro lado
- Bem, obrigada. E tu?
- Preciso de falar contigo... Onde estás?
- A sair do ginásio.
-Posso ir ter contigo? Estou perto
Fui apanhada, um pouco, de surpresa. Suada, com o cabelo apanhado em rabo-de-cavalo, sem maquilhagem, com um fato de treino que já tinha visto melhores dias. Mas, porque não? Que tinha eu a perder?
- Ok. Tenho de ir ao supermercado buscar comida para o cão...podemos tomar uma água juntos.
Encontrámo-nos num barzito, no centro comercial
-Ficas bonita com esse ar de miúda
-Sim, devo ficar !...- e dei uma gargalhada
- A sério
Conversámos durante um bom bocado. De tudo e de nada. das nossas vidas passadas e presentes, dos desejos e dos projectos. A sua vida tinha feito dele um jovem muito mais maduro do que a idade faria supor. Começava a parecer-me fascinante
- Tenho de te apresentar uma pessoa - disse eu a pensar em alguém como a Luana.
Olhou-me muito sério.
-Achas que não consigo arranjar uma namorada sozinho?!
- Não é nada disso. Claro que consegues ...
-Quero-te a ti. Era disto que precisava de te falar
Engoli em seco. Não estava à espera de semelhante revelação e muito menos dito daquela maneira
- Desculpa?!
- Sim. Ouviste muito bem. Desejo-te desde o primeiro dia em que te vi
- Desculpa mas ainda não estou preparada para me relacionar com ninguém e muito menos contigo...quase podias ser meu filho!...
- Mas não sou. Sou, apenas um homem que gosta de ti. A idade está na tua cabeça
Despedimo-nos, no parque de estacionamento, com um beijo ao canto da boca.
Fiquei a pensar em tudo o que se tinha passado, em todas as palavras que tínhamos dito, em todos os gestos e comecei a consciencializar-me de como o achava um homem fascinante. Trocámos mensagens durante toda a noite. Voltámos a encontrar-nos no dia seguinte e no outro e no outro. Parecíamos dois adolescentes apaixonados sem medo de o demonstrarem ao mundo.Dei comigo a acreditar que o tempo tinha voltado para trás e de que não tinha mal nenhum sentir-me jovem e desejada outra vez. O que os outros pensassem deixou de me interessar. Passava os dias a desejar os momentos que passávamos juntos.

1 comentário:

Heavenlight disse...

Eh eh, Marisa apaixonada! Espero que dê certo, mas novos ventos se aproximam!