quarta-feira, novembro 12, 2008

O JARDIM

Continuava deitada no meu balancim aproveitando os últimos raios de sol do entardecer. Os olhos fechados e o pensamento divagando para longe. Assustei-me quando o cão rosnou baixinho
- Incomodo? - Abri os olhos. O Afonso, na minha frente, fixava-me - Posso?
- Claro. Tens aí uma cadeira.
- Fizeste um belo trabalho aqui?
- Fiz?! Como é que sabes que fui eu?
- Foi a D. Margarida que me disse quando tentou converter-me a usurário da tua caixa de compostagem.
- A melhor embaixadora da caixa! - ri-me - Convenceu quase todos os habitantes do prédio a contribuírem com os restos das suas cozinhas. Tudo o que cresce aqui, neste jardim, é fruto da minha agricultura biológica. Nada de adubos químicos ou pesticidas.
- Para que são estes canteiros no centro?
- Para as plantas que cresceram demasiado, dentro das casas e, das quais as pessoas se queiram desfazer.
- Boa ideia!... O teu cão continua a rosnar-me... desde aquele dia em que nos embrulhou no hall... (para sempre)
- Que disseste?
- Nada - levantou-se ficando muito próximo. De repente pensei que me ia beijar mas... deu meia volta e saiu.

1 comentário:

Rafael disse...

Muito legal o texto. Foi você que escreveu?
abraço