quarta-feira, agosto 31, 2005

Rita, 3º dto. (não tenho titulo)

-João, o Mário já chegou de férias. Temos que ir lá acima fazer uma visita. Vamos ver se ele já está mais recomposto e mostramos-lhe as fotografias das nossas férias!
-Sim, amanhã passamos por lá! Ou depois, é melhor deixa-lo desfazer as malas e instalar-se novamente...
-De onde vens tu?
-Nem imaginas o que te vou contar, sem querer vi a vizinha do 5º trás, a sair do bar, que fica perto aqui do prédio, com vizinho, aquele quarentão, sabes?
-Foste para o bar?
-Sim, depois de ter saido do hospital...mas, olha, eu acho que ela veio com ele aqui para o prédio!
-Não ias estar de banco?
-Pedi para trocar... eu acho que ela ficou em casa dele!
-Vieste a segui-los?!
-Não! estou só a falar...
-Sabes onde estive até agora?
- ?
-A pôr roupa na máquina de lavar!!!!! E tu...no bar a espiar vizinhos!!
-Não espiei ninguém...estou a falar contigo, mas pelos vistos não se consegue! Vou dar uma volta!
De manhã:
-D. Margarida, quando o João chegar entrega-lhe esta carta? Quero que ele sinta vergonha por ser a D.Margarida a entrega-la! Obrigada...

terça-feira, agosto 30, 2005

O Recomeço

Bem, bem... Chego de férias e noto uma total revolução aqui neste belo cantinho da blogosfera.
Vou tentar organizar o meu discurso de forma a que toda a gente compreenda a minha opinião.

Desde já, quero dizer que não acompanhei muito bem a minha confirmação como administrador do blog. Apenas admiti a minha disponibilidade para gerir a parte técnica do blog. Como estava de férias e o meu acesso à net era muito limitado, não acompanhei muito bem o desenrolar dos diálogos que aconteceram na secção de comentários. Só agora me apercebi que a convivência no blog (mais no blog que no prédio) se estava a tornar conflituosa. De qualquer forma, visto que me disponibilizei, vou fazer o meu melhor para este blog continuar (e melhorar) a sua vida.

Primeiro que tudo, quero deixar claro que, para mim, a pessoa a que eu dou mais valor neste blog é o nosso "contador de histórias", que foi quem teve a brilhante ideia de o criar. Obviamente que o fez com uma série de espectativas. Algumas foram cumpridas, outras não. Eu diria que é natural visto que o blog depende de muitas pessoas, e cada pessoa cria as suas espectativas para cada projecto. Talvez ele devesse ter explicitado quais as suas ideias para este blog. Mas o que está feito, está feito. Pessoalmente, as minhas espectativas eram as mesmas que o "contador de histórias" descreveu no seu comentário a um dos posts anteriores.
Se repararem, ao longo da minha participação neste blog, procurei que a minha personagem interagisse com os outros inquilinos. Desde o início que procurei estabelecer uma relação amorosa entre o "Mário" e a "Liliana". Também iniciei uma relação de amizade com a "Rita" e o "João". Não relacionei a minha personagem com todos os inquilinos, mas isso seria irrealista, pois um estudante universitário tem outros ambientes em que estabelece relações e, uma pessoa nunca se relaciona com toda a gente.

Fico triste por constatar que a pessoa que teve a ideia de criar este blog perdeu a vontade de nele participar. Fico mais triste por perceber que algumas pessoas que entraram no blog aquando da sua formação o estão a abandonar agora por uma razão ou por outra. Temos que compreender que há algo de errado a acontecer por aqui. Não quero nem sou capaz de atribuir culpas a ninguém.

Quanto à minha posição de actual administrador do blog, quero dizer que sou apenas administrador do blog. Não sou administrador do prédio. Este blog foi criado por pessoas de bom senso e penso que não é necessário transformar isto numa ditadura. Vamos manter a democracia, eliminando as escalas de participação que, segundo parece, vieram trazer alguns transtornos aos participantes do blog. A partir de agora, as pessoas podem postar quando bem entenderem. No entanto, quero pedir para que as pessoas usem do seu bom senso para participarem. Acho que todos compreendemos que cada pessoa tem que saber respeitar o espaço do outro. Não seria lógico eu desatar a escrever todos os dias, tirando o protagonismo aos outros participantes. Penso que devemos participar todos, respeitando sempre os outros. Não acho que seja benéfico para o blog que haja mais de um post por dia, mas penso que essa regra (se é que se pode chamar a isto regra) poderá ser quebrada nalgumas circunstâncias, de forma a que não se perca a espontaneidade da história.

Como disse, não sou administrador do prédio, no entanto gostaria de exprimir mais alguns desejos que eu tenho para este blog. Gostaria que as pessoas que estão a querer sair (incluindo o fundador do blog) repensassem as suas decisões, pois o blog ficaria muito mais rico com pessoas diferentes com diferentes ideias. Gostaria que existisse um maior intrusamento entre as histórias dos diferentes inquilinos. Procurem que as vossas personagens interajam mais com os outros moradores do prédio.
Neste momento, não me ocorre mais nada para dizer, senão realçar novamente o meu desejo para que o respeito volte a imperar nas relações entre bloggers. Quanto a conflitos no prédio, isso já é outra história...

Quero também dizer que estou disponível para que me contactem sempre que entenderem com sugestões, críticas, ou o que for. O meu mail é mario.r.x[at]gmail.com (substituam o "[at]" por "@". Dispenso "junk mail" e coisas parecidas).

O meu desejo é que este blog se desenvolva o melhor possível e penso que o mesmo pensam todos os moradores do prédio.

Beijos e abraços para todos,
MrX

segunda-feira, agosto 29, 2005

"Pensamentos Secretos" de Ernesto Saraiva

Sou Ernesto Saraiva. E sou homem que não admite esperar. Apresso-me a viver em bocadinhos aquilo que não posso viver por inteiro. Por razões previsíveis. Bocadinhos espontâneos. Bocadinhos inteiros por eles próprios. Mas cedi num dia desta semana. Esperei ali na fnak por uma menina com ares de mulher que já o era ainda que não fosse madura madura. Assim mais para o verdinho torneado de 25 anos. Queria ela dar um toque semi intelectual ao encontro que tinha concertado e provocado. Ainda que sem muitos obstáculos da minha parte. Apelava a um homem mais velho. Pareceu-me que tinha devorado demasiados filmes franceses de uma vaga que já nem eu me recordo. Dizia-me que antes de tudo isto acontecer num passado mais recente que à noite tocava-se fantasiando que era um homem mais velho que o fazia por ela. Também me disse que quando me conheceu logo nessa noite passei a ser esse homem que se situava na ponta dos dedos dela nesses momentos isolados. Não me importei com as expectativas hipoteticamente criadas. As mulheres também mentem muitas vezes só para fazer um pouco de manipulação comportamental. Chamo a isso de sobrevivência de um equilíbrio mais ou menos saudável entre géneros opostos considerados (absurdamente) complementares. Isto perante um pré-juízo quase infantil sobre os dois sexos. Por isso é que desvalorizo muitas vezes o que elas me dizem. Principalmente quando se referem a sentimentos. Mas eu próprio quando quero sei fingir intimidade. E isso também pode ser manipulador. E também sei que todas as mulheres querem saber que estão a ser tocadas e não vagamente penetradas. O homem para penetrá-las tem de tocá-las. Por isso teve de tomar gosto ao tocar. À pele. Isto apesar do sentido fálico que tem bastante intenso em si mesmo. Mas já estou a vaguear do essencial. E o essencial enquanto esperava pacientemente não esteve relacionado com engates nem com sexo. Quer dizer. Só um pouco. O que se passou enquanto a esperava. Isso é que importa. Ela atrasou-se. Bastante. Não sei se propositadamente. E enquanto esperava por ela comecei a folhear livros. Até que peguei num de um autor chamado David Lodge. Abri esse livro por e ao acaso e os meus olhos pregaram-se subitamente em algo que me deixou estarrecido. Referia-se à regra dos 4 C´s. E o que é que significava? O que estava lá escrito era que o homem vivia basicamente para concretizar 4 objectivos. Todos eles em forma de verbo. Comer. Copular. Cagar. Combater. E depois comecei a pensar em algo surpreendente. Pelo menos vindo de mim mesmo. Normalmente sou mais básico. Como os homens em geral gosto de simplificar as coisas. Não quer dizer que seja um idiota. Nem que todos os homens o sejam. Só não gostamos de complicar. De dissecar. Mas retornando ao racíocinio em questão. Na tradução original seria a regra dos 4 T´s. To eat. To Fuck. To shit. To fight. Mas todos os actos humanos naquela língua começam da mesma forma. To sleep. To denial. To breath. To change. To find. To increase. To..... Significa isso que são actos também eles principais? Ou são actos periféricos aos actos centrais estes por sua vez interligados directamente com a sobrevivência da espécie humana? O meu pensamento para entreter foi interrompido subitamente por outra diversão. A rapariga-mulher chegou. To see, to speak e to walk to the building interligaram-se com o to fuck. Acto este um dos principais que ocupa grande parte dos meus "Pensamentos Secretos" (era este o título do livro). Embora o objectivo inicial de termos tanto prazer e tanta vontade nesse acto esteja enraízado na reprodução. E que os seres de vida expelidos pelo meu corpo e que passam por curtos rasgos temporais espero eu que não cresçam nem se multipliquem mais tarde. Isto numa acepção biblíca relacionada com o objectivo da copulação. Assim o fornicar é viver. O copular é dar vida.


Introduzimo-nos a ambos no prédio onde os meus engates se concretizam. Olho directamente para a porteira. Ela devolve-me um olhar desconfiado mas também directo. Um pouco fulminante. Já deve ter elaborado várias elucubruções sobre o meu modo de vida. Que não devem andar muito afastadas da realidade. O porteiro anterior faleceu há já algum tempo. Provavelmente deve ser uma profissão de risco. A primeira conclusão da polícia nestes casos é sempre o suícidio. Mas depois verificam o local do crime e o corpo e chegam por vezes a outros indícios mais interessantes.Mas interessante foi sentir algo estranho no outro dia. Senti-me observado. Enquanto partilhava activamente o meu leito com uma das minhas companheiras. E pensei logo num espectro. Precisamente o do porteiro. O que pareceu-me ridículo. A forma do caminho que o meu raciocínio estava a tomar. Admito que sou um homem que se sentia amedrontado facilmente quando confrontado com esses fenómenos. Bastava a mera menção e começava a suar. De terror. Até esse dia. Olhei para o lado e o espectro da minha imaginação transformou-se em algo mais palpável. Palpável não. Era algo que me deixou fascinado pela sua suposta existência/não existência. Estava quase a vir-me e comecei a entrar naquele ponto de ebulição já conhecido. Assustado e excitado. Dois sentimentos que tomaram parte de mim naquele momento. O espectro tomava vigilância no acto. E eu tinha o cérebro dividido em dois. Vim-me ao mesmo tempo que lhe ordenava em brados elevados para que ele se afastasse e não se intrometesse nos meus assuntos privados. A minha companheira deve ter pensado que era doido. Varrido mental. Varrido de vez. Depois disso já pensei em ir a um psicólogo. Nem sei se foi algo que inventei. Se é o fantasma da consciência a entrar na minha vida passados estes anos todos. Mas porque é que esse fantasma ía ser igual ao porteiro?

Olha, olha...

Não sei muito bem o que significa a palavra "arrogância", ou onde é que ela se encaixa na minha atitude na reunião de condomínio relativa ao desenrolar de todo este processo de transição...

Mas uma coisa eu sei, é que a palavra "arrogância" é uma palavra que exprime qualquer coisa de depreciativo. Qualquer coisa que tem a ver com uma forma de estar de quem olha os outros lá de cima do seu poleiro. talvez tenha olhado para os meus vizinhos assim... Não sei... se o fiz, é porque essa forma de estar "no poleiro" muitas vezes advém da falta de capacidade de uma pessoa em fazer-se entender. Se eu fujo para o Mar (só a ele obedeço, só ele me conhece, só ele sabe quem sou, no princípio e no fim, só a ele sou fiel e é ele quem me proteje quando alguém quer à força ser dono de mim...) inata e constantemente, se nele me refugio, absorvo dele a frieza da palavra franca e a crueza do sentimento puro. O Homem do Leme faz-se rude e, no seu constante diálogo com as marés revoltas, esquece-se como deve falar com o outro. Assim, e porque a forma como o outro nos entende, apesar de eu acreditar que também tem a ver com o seu estar na vida, nasce sobretudo da forma como nos exprimimos, peço desculpa se entrei pela paz de alguém adentro. Longe de mim fazê-lo intencionalmente... mas acredito que o possa fazer por atitude inerente. Por isso solto amarras e vivo lá no meio dos peixes, onde não corro o risco de ferir ninguém.

A Inquilina do 5º Trás

Entro no prédio e tento ser o mais simpática possível. A porteira olha para mim de uma forma que me assusta, como se tentasse prescrutar todos os meus segredos. Um calafrio percorre-me a espinha.
- Bom dia, o meu nome é Luana, aluguei o 5º trás...
- Ah sim, menina, faça favor de entrar. Tem ali o elevador, que dá sempre jeito, pois ainda tem de subir um bocadinho. Vem sozinha?
- Venho, mas espero fazer amigos brevemente.
- Pois é, andamos sempre a recomeçar, certo? Espero que seja feliz aqui. Se precisar de alguma coisa eu estou sempre aqui.
De repente, uma miudinha abraça-se à mulher.
- É minha filha, a minha Joana – diz a porteira com orgulho. – Já agora, chamo-me Margarida.
A criança era linda, mas tinha um ar assustado, como se alguém lhe tivesse feito mal. Pensei que uma criança daquela idade não deveria ter medo de nada.
- É linda. É a única filha?
Dª Margarida balbuciou um “é...” e retirou-se apressadamente.
- Seja bem-vinda, Dª Luana.
Entrei no elevador e saí no 5º andar. Procurei a minha porta, mas antes disso cruzei-me com uma mulher muito bonita que ia a sair do 5ºC. Dei-lhe as boas tardes mas nem me respondeu. “Convencida; deve ter a mania que é boa. Bem... cecalhar ia apenas com pressa e nem me viu. Vamos tentar fazer as coisas como deve de ser desta vez...”.
Já em casa, depositei as malas no quarto e olhei para o espelho. Via uma rapariga loura, de cabelo ondulado pela cintura e olhos cor de mel. Tinha 24 anos, mas aparentava menos, apesar da pintura sempre presente, como imagem de marca. Sabia que era atraente, mas não gostava de mim. No entanto, sabia que despertava um interesse especial no sexo masculino, e isso fazia-me sentir especial e viva. Não, eu não queria pensar nisso. Recordações vieram-me à mente e fizeram-me chorar. As lágrimas caíam mesmo sem eu querer. Então jurei a mim própria que iria esquecer o passado e recomeçar a minha vida de forma diferente. Limpei os olhos, acendi a televisão (sim, porque eu alugara a casa toda equipada) e deixei-me adormecer.
Horas mais tarde, acordei e senti-me sozinha. Esquecendo tudo o que tinha prometido a mim própria, vesti umas calças de cabedal, justas em cima e evasé nas bainhas, um top branco, arranjei a pintura e saí. No bar mais próximo, vi um homem já quarentão ou mais, bem-parecido, que me olhava de forma insistente. Sentei-me ao lado dele, ao balcão, pedi um tgv e acendi um cigarro. Ele não descolava.
- Estás a olhar para mim?
Ele sorriu, com ar provocador.
- Sozinha?
- Agora não.
- Ah... estou a ver. Queres dançar?
Comecei a dançar à volta dele. Tinha um corpo musculado e moreno, um ar determinado, de feições fortes. Rocei-me. Ele tocou-me na cintura e eu peguei-lhe na mão e coloquei-a no meu peito.
- És uma profissional?
- Não.
- Que fazes?
- Muitas coisas. Não falo sobre mim.
- Tens nome?
- Lana – tirava sempre o “u”.
- Vens?
Beijei-o e deixei-me ir. Ele levou-me no carro por ruas que eu não conhecia. Saímos do carro aos beijos e entrámos num prédio que me pareceu familiar mas, claro, eu estava um pouco embriagada pelo álcool e pelas carícias dele. Subimos ao 6º andar e, na casa dele, onde entrei já parcialmente nua, percorreu todo o meu corpo com os lábios e a língua, deitou-se e esperou que eu retribuísse e depois fodemos até à exaustão uma e outra vez. No final, não me foi pôr a casa, nem eu o esperava. Saí, desci o elevador e já na rua tentei perceber onde estava para encontrar o caminho até casa.
- Oh, não!!! Não pode ser!!!- gritei.
Eu acabara de sair do meu prédio e dera uma ... fantástica ao meu vizinho de cima!!! Sim, o objectivo fora esquecer, mas agora estava presa na minha própria teia. Subi as escadas devagar, tomei um bom banho, e adormeci no escuro, abraçada a mim própria.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Estou armada em comandante de navio

Bem, bem, bem... está a crescer aqui alguma coisa!

Ainda falta muita gente pronunciar-se. Mas, de uma forma ou de outra, já temos a confirmação do desprendimento do proprietário do Prédio.

Uma vez que fui eu a primeira a transgredir as regras e a dizer que não gostava de, nem conseguia, viver ao ritmo delas, venho perguntar se podemos dar arranque à cooperativa.

Por mim, e uma vez que vejo em todos os vizinhos, pelo menos nos mais regulares, uma forma de estar saudável, uma dignidade humana e um sincero respeito pelo outro, acho que não são precisas regras. Além de que reparei numa coisa curiosa. Na altura da publicação das regras pareceu-me, e o próprio proprietário acreditou que assim era, que toda a gente, ou quase toda, sentia necessidade dessas regras. Parece-me que afinal muita gente se sentia constrangida na sua vivência natural do dia-a-dia de uma habitação.

Talvez não sejam precisas regras... Talvez, possamos começar sem regras e vir a criá-las mais tarde, segundo o desenrolar da vida... Viver com ou sem regras deste tipo, nada tem a ver com anarquia ou desrespeito. Seria a mesma coisa que nos dizerem que só podemos falar às 3:37 de cada dia... ou pior, no dia 7 de cada mês... acho eu que sou meia gaivota! Sem regras, a não ser a tal, a do respeito, a regra que deve reger a nossa vida e não só esta.

Teremos de ter uma pessoa, pode ser porteira ou não, que faça a gestão "técnica" da coisa. A gestão do espaço físico do Prédio Virtual - o site.

E, talvez precisemos de mais coisas que eu não me recordo. Surgirão pela voz de outros.

Gostava, sinceramente, de "opinar" sobre o comentário do nosso (ainda) proprietário: Todos escrevem, mas nem todos são lidos de igual forma, o que se torna frustrante para quem escreve e díficil para quem lê pois não dará igual atenção a todos. Na vida somos sempre lidos pelos olhos dos outros. O que fazemos no dia-a-dia é interpretado de milhares de formas diferentes. E nem umas são mais verdadeiras ou justas, como nem outras são mais falsas ou injustas. Como diz o Vasco Pinto Magalhães "Não há soluções, há caminhos". E aos poucos iremos aprender a conhecer os que vivem ao nosso lado. Vamos gostar mais de uns e menos de outros, vamos oferecer um chá ou um passeio à vela a uns e flores ou cactos a outros. Vamos mandar bugiar o vizinho de cima e ranger os dentes com raiva do gato amarelo!

Eu por mim parto novamente para o Mar. Voltarei, mas antes de voltar gostava de poder dar as Boas Vindas à Heavenlight, que se mostra ansiosa por mudar para cá. Damos-lhe uma chave ou não?! E parece-me que há por aí um vizinho com uma coisa para publicar. Estão de acordo que publique quando quiser?

Somos livres de ficar ou de partir. Somos livres de pensar e livres de agir. Seremos aceites ou não pela sociedade mas, se não pisarmos a liberdade do outro, seremos sempre livres.

Bons ventos nos acompanhem.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Lá vou eu transgredir...

O meu dia era ontem... Mas ontem estava a 27 metros de profundidade, entre um Lírio e uma Estrela do Mar...

E que tal se fizéssemos uma Cooperativa, Cooperativa do Prédio ao Lado! Não sei como funcionam as cooperativas, só sei que funcionam em grupo, em cooperação, pois então!

Aceitamos propostas?

quarta-feira, agosto 17, 2005

O meu dia ERA dia 21

Mas o Adamastor que engula as regras e atire isto tudo para o mar, se assim for preciso.

Só vou comentar uma coisa: como é que alguém pode ambicionar um projecto de partilha e convivência de gentes diferentes e vidas dinâmicas, um projecto abrangente, crescente, interactactivo, de desgaste ou de glória, de confronto de ideias e sentimentos, eliminando à partida o factor essencial, inerente, à sua existência? A liberdade de expressão sem hora marcada!!!

Será que alguém percebe o que estou a dizer? Se hoje me apetece gritar com o vizinho de cima, porque tenho de esperar para gritar dia 21 de mil novecentos e troca o passo? Nesse dia, já eu terei analisado, resgatado, apagado, corrigido, embelezado a palavra escrita e esta já nada dirá do que senti quando a escrevi no momento.

Quando saiu a regra do dia fixo, insurgi-me por causa própria, só própria, é verdade. Quem anda no Mar tem dificuldade em marcar encontros datados em Terra. Os ventos nem sempre sopram de feição... Senti, logo ali, uma limitação, uma obrigação daquelas que não podem existir na vida, não podemos restringir o tempo da vontade. Talvez hoje tenha algo a dizer, dia 21... ninguém pode garantir!

A justificação, no meu entender, não faz qualquer sentido: permitir que cada um tenha um dia seu e um tempo para ser comentado. Desculpem mas, quando saio de casa, da de cimento e pedra, só posso dizer bom-dia a quem se cruza comigo se estiver estipulado em reunião de condomínio? Ou só posso responder ao convite para entrar no elevador se for o meu dia de partilhar a companhia daquele vizinho? Santa Onda da Praia Azul... Na vida temos de aprender a gerir a nossa liberdade junto com a liberdade dos outros no decorrer de cada dia!

Já uma vez pensei partir, vender ou alugar o meu 7º esquerdo. Na altura fiquei, por uma razão sem razão, como é meu costume, o chá de um vizinho. Agora... não sei! Se este projecto não sair triunfante talvez crie um por aí, sem outras regras que não as da dignidade e respeito pelo próximo. Não será um prédio, essa ideia é de quem a criou, talvez um submarino, que condiciona muito mais o espaço físico e psicológico de quem lá está semanas seguidas...

Enfim, tenho dito e não me arrependo! Boa sorte a todos.

domingo, agosto 14, 2005

Ao passar pela porteira...

Ultimamente não tenho sorrido para ninguém!
A minha vida não está exactamente como eu queria, como eu gostaria, aliás parece quem havido um retrocesso!
O Mário nunca mais falei com ele, foi lá de férias e não deixou numero, melhor assim, não o chateio a tentar ser slodária, porque ainda o ia irritar mais, ia acabar por falar dos meus problemas..sim, mesmo com o miúdo!!!
O João anda entusiasmado com a gravidez, mas é só com a gravidez, parece que me ama porque estou grávida, quer-me perto dele, porque quer sentir o filho, quer falar com ele e eu?? Eu também deveria ouvir palavras dele...
D.Margarida, até nem "abusa" das palavras comigo, lembra-se noutro dia, comentou o facto, porque me viu com a lágrima no canto do olho quando entrei no prédio puxada pelo Sebastião (sim, ele é que me passeia!), e eu disse-lhe "Julgava que este seria um momento mais feliz!"...acabou por desculpar o João dissendo que "serão os nervos de vir a ser pai! os homens só amam verdadeiramente os filhos quando os veêm, quando eles olham para eles...", fingi acreditar nessa possibilidade!
E agora que falo consigo, D.Margarida, sinto-me muito melhor...obrigada pelo chá...este não me enjoou eheh...
Até logo,vou fazer o jantar...ao Sebastião!
-Até logo, ainda bem que fui boa ouvinte! eheh
-Nestas alturas só falo eu...desculpe!

sexta-feira, agosto 12, 2005

VENDE-SE

Por motivos pessoais, tomei a decisão de vender este prédio. São vários os motivos que apelam a vários sentimentos quer positivos quer menos positivos. Em suma, neste momento a melhor decisão é esta. Não faz para mim mais sentido, continuar por aqui. Ganhou vida própria não como ambicionava, mas isso não me entristece. Enfim. Está para venda. Venham ofertas.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Bato à porta da margarida. Vou pedir-lhe que me fique com o cão enquanto vou de férias com os meus filhos. Aos anos que não tínhamos férias juntos!... nunca arranjavam tempo para ir connosco. Este ano combinaram e vamos os cinco para S.Salvador da Baía. Organizaram toda a viagem e no fim convidaram-me para ir com eles.
- Entre - respondem de dentro - a porta está aberta.
A margarida está recostada num sofá, de frente para a janela que dá para as traseiras, com os livros espalhados à sua volta.- Estou para aqui sem vontade de fazer nada... - diz ela com um suspiro - o prédio está quase vazio, os inquilinos foram de férias...a Joana está para a colónia de férias e eu... bem tento estudar mas não consigo concentrar-me...
Ouvimos um barulho no pátio e, ela, levantou-se ao mesmo tempo que, também, eu me dirijo para a janela. É o meu cão atrás da gata dela em alegres brincadeiras.
- Como o raio dos bichos se dão bem!- comento. - Vinha pedir-lhe que me tomasse conta dele enquanto vou de férias - e conto-lhes os planos dos meus filhos. Ela acede prontamente.
- Sempre me faz companhia!- suspira - Toma uma chávena de chá gelado, comigo?
Aceito e sigo-a até à cozinha. Sento-me à mesa enquanto ela deita o chá nas canecas e corta o silêncio:
- Ainda há bocado esteve aqui a menina Rita...ela está grávida, sabia?
-Não, não sabia - respondo.
-As porteiras servem para alguma coisa... - diz a Margarida a sorrir ironicamente - Pois é...está grávida e não tem passado lá muito bem. Ia a entrar com o sebastião pela trela. Vinha encostada à parede, cambaleante, branca como a cal, de tal modo que não sei quem é que segurava quem...convidei-a para um chá gelado. Queixou-se de que o João, embora contente com a perspectiva de ser pai, não lhe tem dispensado a atenção de que ela sente necessidade. Está sempre de serviço na Urgência do hospital e nunca pode ter férias neste tempo. Disse-me, também que o Mário, (aquele que anda a estudar medicina e que teve o acidente com a menina Liliana, sabe?) esteve lá em casa a desabafar o seu arrependimento por terem abalado às escondidas para o Algarve...
-Também...que ideia a deles, a de se porem a caminho sem dizerem nada -respondi, para não me manter calada.
-Os pais dela estão furiosos e não os deixam verem-se. Aqui para nós...até parece que a culpa também não foi da filha deles!... Os pais do rapaz lá conseguiram levá-lo para a terra para passar as férias, a ver se ele se acalma. Diz que está muito arrependido.Ele parece muito responsável!...
-Coisas de miúdos - suspiro e, lembro-me do olhar do homem que saiu no 6º andar e sinto-me afogueada.
- Está a sentir-se bem?1...
- Estou bem - fico inibida mas continuo - Quem é o homem que foi, ontem à tarde, para o 6º?
- Deve ser um que é bancário ou qualquer coisa do género. Chama-se Ernesto e não mora cá. Comprou aquele andar para as aventurazinhas...percebe? - notava-se o prazer com que ela lhe desvendava os segredos - Aparece sóou, de vez em quando, acompanhado... sempre de meninas diferentes - diz com um sorriso malicioso - Porque pergunta? Houve algum problema?
- Não, não - coro novamente com a recordação daquele olhar que parecia despir-me, dos pés à cabeça...


sábado, agosto 06, 2005

Estadia forçada

Voltei a casa! Depois de dois meses que nunca pensaria viver, regresso às traseiras do último andar, onde me esperam os meus amores.
Sentia-me culpada por os ter deixado a dar trabalho à menina Inês do 13º, mas não houve outra maneira. Agora que cheguei, vejo que ela os tratou bem, as tigelas ainda têm comida, a água deve ter sido mudada já hoje… os trabalhos que eu lhe dei! Quando descer para a minha voltinha tenho de passar no 13º, para agradecer, além de prestar contas pelos sacos de comida extra que foram necessários. Ai velhota, o trabalho que os teus trabalhos dão!
Pois a minha estadia na província foi mais longa do que eu previa… Cheguei para um casamento e acabei num funeral colectivo, uma espécie de ritual macabro que envolveu toda a aldeia.

A minha sobrinha neta ia casar! Sim, a dos olhos doces… Maria de seu nome. Nunca tinha conhecido o seu futuro marido, mas tenho pena… se o tivesse visto antes talvez conseguisse adivinhar nos seus olhos toda a loucura que ele guardava.
Minha sobrinha era bonita! Bela como a avó, não me canso de o dizer. Antes desse namorado, desse louco, tinha sido cobiçada por quase todos os rapazes da sua idade… Na aldeia mantêm-se implicitamente estes rituais, esta procura de um bom par. E ela era encantadora. Despachada, activa, não deixava ninguém sem resposta, mas sempre com um sorriso a desenhar-se nos lábios! Acho que deixava aqueles rapazes presos ao seu olhar…
Ora este louco com quem ela ia casar, pobrezinha, foi o único rapaz que lhe despertou a atenção. Disse-me o meu irmão Manuel que o rapaz tinha vindo, anos antes, da aldeia vizinha, com os seus modos reservados, como quem escondia qualquer mistério na alma… acho que foi isso que a encantou! Pobre Maria… que abismos se escondiam no mistério daquela alma!
Faltavam poucos dias para a festa quando cheguei, já à noitinha. Não a vi, tinha ido de novo a casa da costureira, para a prova final do vestido. Sei apenas que dormi… e acordei, na manhã seguinte, dentro de um pesadelo.
O louco saíra nessa noite, para o cafezinho do centro… Talvez contente com o grande passo que ia dar, acabou por beber demais, ele e os outros rapazolas que se lhe juntaram, para festejar! No meio de todo o álcool, acabou por ouvir demais… todos os outros comentavam a beleza da minha sobrinha-neta… os seus “atributos”, o quão feliz ele ia ser ao lado dela.
Até que um deles se lembrou de falar do Jorge… lembro-me dele, gaiato pequeno, a correr pelo jardim com a nossa Maria. Eram amigos desde que nasceram, unidos por pactos tão fortes como qualquer amor. Desde que Maria tinha começado a namorar, o contacto entre eles tinha-se tornado menos constante, mas mantinha-se a amizade. Mas ali, no meio das vozes alteradas, insinuaram-se as piores coisas sobre os dois… tanta proximidade, tanta amizade, eram de desconfiar! E avisavam o louco sobre isso, entre grandes palmadas nas costas e olhadelas ao filme pornográfico que passava na televisão.
Contaram-me que ele só acalmou quando soube ao certo onde morava o tal Jorge… depois, limitou-se a pagar a despesa e a sair, sozinho pelo largo fora.
Na manhã seguinte, minha segunda mãe encontrou-os, aos três. Em três tiros, três vidas destruídas… e um mundo de desespero e consternação para quem só queria o melhor para eles.
Foi assim que me vi estes meses na aldeia. A minha irmã e a filha entraram em estado de choque, acompanhei-as todos os dias à aldeiazinha branca dos mortos, visitar aquelas almas, vítimas da loucura de alguém que não soube medir as suas acções.
Minha irmã continua a chorar, baixinho, baixinho, quando toca mais uma vez em qualquer das pequenas coisas que Maria lhe oferecia… Deixei-os a meio do seu luto, e vim viver o meu na solidão acompanhada da minha casa.
Vá, bichanos… vamos abrir as janelas. Preciso de ver o sol, ainda vai alto, ainda me pode aquecer o rosto, secar as lágrimas que teimam em correr.
Preciso de me ocupar, e esquecer…

quinta-feira, agosto 04, 2005

...

Pouco a pouco,a Liliana começa a melhorar.Já saiu de coma e tudo.O ambiente cá em casa é que não é o melhor.A mãe anda nervosa,o pai irritado e eu melancólica.Não sei onde isto vai dar!
É verdade que a atitude do Mário e da Liliana foi um pouco infantil.Mas o que está feito,feito está;nem se devia pensar mais nisso!Os meus pais também estou a agir de modo imaturo.Pobre Mário,pobre Liliana!Acho que já tiveram o seu castigo,não?
Logo que a Liliana volte para casa,tenho de tratar de tentar convencer os meus pais a perdoarem o Mário.Não aguento esta tensão toda cá no prédio.Começa a tornar-se impossível!A mãe passa o dia maldisposta,cheia de enjoos,a vomitar,e o pai põe as culpas no Mário.Diz que toda esta história do acidente pôs a mãe ansiosa e que não será capaz de voltar a olhar para a cara dele se a mamã perder o bebé.
Não aguento isto.Começo a sentir-me deprimida.
Mais do que nunca,perdoar é uma urgência.

[peço desculpa por etr postado hoje ma sontem não voltei a vir cá...espero não ter tirado a vez a ninguem que pretendesse postar ainda!peço desculpa se foi o caso...]