quarta-feira, junho 29, 2005

Recordações

Estive indecisa entre o 6º T(tras) e o r/ch dto. Optei por este último por ter acesso ao pequeno pátio onde o romeu poderá "desenferrujar" as patas.
Saí cedo. O dia estava soalheiro. Dirigi-me à paragem do autocarro e procurei a carreira que me levaria para mais perto das minhas recordações. Apetecia-me ver, com os meus olhos, as alterações sofridas, pela passagem dos últimos 20 anos, nos locais que eu tanto tinha amado. Subi e sentei-me junto da janela. Não havia muita gente. Passei à frente do hospital onde iniciei a minha Carreira Profissional. Um raio de sol bateu-me nos olhos obrigando-me a fechá-los. De repente lembrei-me do jovem estudante de mecicina, imberbe e cheio de borbulhas... encontrava-o, constantemente, por todos os locais que eu frequentava no hospital. As minhas colegas costumavam dizer, a brincar, que estava apaixonado por mim. Dizia-se que era um excelente aluno, muito aplicado e devotado ao estudo. De repente desapareceu. Soube, mais tarde, que lhe tinha sido diagnosticada uma esquisofrenia e que fora internado no Júlio de Matos. Que seria feito dele?... Um toque de campaínha fez-me abrir os olhos. O autocarro parou e a porta abriu-se. Desci. O parque, ao cimo da rua, continuava com o seu aspecto descuidado embora as árvores estivessem mais crescidas. A rua estava, impecavelmente, calcetada. O meu velho prédio havia sido demolido e, no seu lugar, existia, agora, um moderno centro comercial. Voltei para o parque onde um homem, ainda jovem, passeava um carrinho de bebé. Sentei-me num banco a ouvir os pássaros e fechei os olhos...
O meu marido havia sido mobilizado para Angola quando eu me encontrava no final da gravidez do meu primeiro filho. Ficou decidido que eu embarcaria depois do bebé nascer. Entretanto, ele procuraria um local onde nos instalar. O tempo foi passando e, ele, mandou dizer que tinha sido colocado no mato pelo que seria melhor esperar pela sua nova colocação numa cidade. Fui ficando, cada vez mais sózinha enquanto esperava notícias.
O meu vizinho do andar de baixo, um pouco mais velho do que eu, era escriturário no mesmo hospital onde eu trabalhava. Fazíamos o percurso juntos. Ás vezes, oferecia-se para passear o bebé para que eu pudesse descansar, dormir ou, apenas, ler. As vizinhas calavam-se quando eu passava...
Certo dia, quando se preparava para descer depois de termos jantado e arrumado a cozinha, os nossos olhares encontraram-se, como tantas vezes acontecia. Desta vez não se afastaram rapidamente mas, ficaram presos. As nossas mãos não se largaram e as nossas bocas procuraram-se. Desapertei-lhe a camisa com tal fúria que alguns botões saltaram pelo ar. Ele, puxou-me a camisola, docemente, para cima. Virou-me de costas para ele. Desapertou-me o soutien e começou a acariciar-me os seios enquanto me beijava os ombros, a nuca...Um formigueiro subia-me pelos pés... um aperto no coração... um nó na garganta...um frio no ventre... Pegou-me ao colo, como se eu fosse uma pena e depositou-me, suavemente, sobre a cama. Despiu-me, lentamente, como se o meu corpo fosse a coisa mais preciosa em que, algum dia, tocara. Os seus lábios desceram até aos meus pés enquanto as suas mão brincavam entre as minhas coxas. Eu já só desejava que me possuisse uma e outra e outra vez...
Ficámos abraçados por muito tempo. Não foram necessárias palavras...ambos sabíamos que tínhamos tido o nosso momento de perdição que, também, seria a nossa redenção.
Quantas vezes desejei descer as escadas? Quantas vezes me apeteceu abrir a porta quando o pressentia parado na soleira? Quantas...?
O meu marido voltou. Partimos para o Porto e, alguns meses depois, nasceu o nosso segundo filho, depois o terceiro e depois o quarto...

segunda-feira, junho 27, 2005

RAevisão de regras

Após o período de reflexão, em que as regras de funcionamento do prédio estiveram em análise e, por maioria dos participantes (que não foram muitos) , decide-se que só haverá uma publicação por dia!
A ordem será de acordo com a lista publicada no dia 21 de Junho. Assim, amanhã, o primeiro dia das novas regras, estará por conta do sr João Escuro, da cave. A quarta feira será o dia da Marisa do r/ch dto e, por aí acima até à menina Inês do "ultimo". Não esquecer a menina Vitória que veio ocupar o 6 F (frente) que "postará" a seguir ao sr Ernesto saraiva.
No caso de alguém não querer, ou não lhe apetecer, escrever no "seu" dia e, caso não troque com outro inquilino, não haverá publicação e passa a só voltar a poder fazê-lo quando a "lista" der a volta.
Espero que estas regras sejam cumpridas por todos os participantes mas que não sejam imobilizadoras das nossas histórias. Os inquilinos, mesmo os novos, devem ter atenção, não só a manter a ordem de publicação, como a contribuir para manter a continuidade e coerência das histórias.

P`la portaria

margarida

domingo, junho 26, 2005

Intervalo no estudo

Dou voltas e voltas ao Atlas de Anatomia para tentar compreender a disposição do peritoneu. Estou farto de estudar para os exames! Será que isto nunca acaba! Nunca mais chega Agosto! Ainda nem tive oportunidade de dar um salto à praia!
Desesperado, fecho o livro violentamente e inclino-me para trás na cadeira. O que fazer? Preciso de desanuviar… Levanto-me e pego nas chaves de casa. Abro a porta e apanho o elevador. Vou ver a Liliana. Também deve estar a estudar para os Exames Nacionais. Saio no 2º andar e toco-lhe à porta. Ouço, do outro lado, a voz da Madalena a perguntar quem é.
— É o Mário… — respondo eu.
Ela abre a porta e cumprimenta-me sorrindo.
— A Liliana está no quarto — diz-me, piscando o olho num ar de cumplicidade. Eu sorrio e digo:
— Mas quem é que te diz que é ela que eu venho ver?
— Oh! Deixa-te de coisas e vai lá falar com ela!
Sorrio e bato à porta fechada do quarto da Liliana. Ouço uma voz irritada:
— Agora não, Madalena! Estou a estudar!
— Ok!... Eu volto depois… — digo eu.
De dentro do quarto ouço um barulho de papelada a cair e de passos apressados. A porta abre-se e, no mesmo instante, tenho dois braços à volta do pescoço e os lábios da Liliana em contacto com os meus. Sou encostado contra a parede do corredor e deixo-me envolver pela paixão daquele momento. Subitamente, ouço uma voz que me traz de volta ao mundo real:
— Então, então?! Até parece que vocês vivem muito longe um do outro! Realmente, oito andares é uma distância interminável…
— Está bem, Madalena! Fecha os olhos se não queres ver! — diz Liliana, com um sorriso maldoso. Madalena ri-se e entra no seu quarto.
Viro-me para a bela rapariga à minha frente e fico a contemplá-la. Será possível que ela esteja realmente aqui? Puxo-a mais para mim.
— Não queres fazer um intervalo para irmos dar uma volta? — pergunto-lhe ao ouvido — Eu estou farto de estudar!
— Vamos! Estás muito branco! Precisas de apanhar Sol! Deixa-me ir só buscar a carteira… — responde ela tocando com os dedos no meu rosto.
Saímos. O meu braço desliza-lhe pelas costas e envolve-lhe a cintura. Caminhamos assim juntos em direcção ao rio.

sábado, junho 25, 2005

O começo de nova vida

Olá sou a Vitória e aluguei o 6º F. Tenho 18 anos e vim de uma aldeia da Beira Interior contra a vontade dos meus pais, para vir estudar Design.
Eles sabem que esta é uma viagem sem regresso, sabem bem que só lá voltarei quando for alguém na vida. Não me estou a ver a trabalhar no campo como o resto das mulheres lá da aldeia.
Quero viver aqui, na cidade grande, quero ser alguém neste mundo. Encontrar o homem da minha vida, aquele a quem me vou dar e que vai gostar tanto de mim que, vai querer ficar comigo para o resto da vida. Acho que isto não é pedir muito.
Gosto deste meu novo lar, com o dinheiro que tinha guardado e mais a bolsa de estudo já deu para comprar alguma coisinha. Na sala já tenho o sofá e a TV, tenho de comprar uns tapetes, uns quadros para ver se fica com um ar mais animado. Mas o que eu gosto mesmo é do meu quarto, tem uma janela grande que da quase para ver a cidade toda e em especial o jardim aqui do bairro, coloquei a cama de frente para ela para acordar com os raios de sol a bater-me no rosto e também para ver o que se passa na rua sem dar muito nas vistas.
Desde que cheguei ao prédio ainda só vi dois vizinhos. Uma senhora que deve ter uns 30 anos, acho que ela vive no 5 andar, vi-a ontem no elevador quando eu estava a sair para fazer compras, deve ter um trabalho importante pois veste-se muito bem e usa um perfume que tem “cheiro de ser caro”. O outro vizinho é o que mora mesmo aqui ao lado, mas a esse mal lhe vi a cara, mas deve de dar muitas festas ou reuniões, pois tem sempre gente a sair lá de casa. Quando der acho que vou lá pedir uma chávena de farinha ou alguma coisa do tipo, para ver o que se passa por lá.
Tenho que ir estudar, mas faz tanto calor que nem com as janelas todas abertas fico mais fresca. Já pensei andar nua pela casa, mas se alguém me vê?! Sei que moro num andar alto, mas às vezes imagino que alguém me está a espreitar por aquele óculo que se usa para ver quem está a bater à porta.

quinta-feira, junho 23, 2005

recomeçar depois dos 50

Sou recém chegada, recém-divorciada e recém reformada e, já agora, recém- retornada à minha cidade. O meu nome é marisa . Sou enfermeira e exerci durante mais de 20 anos no H. S. João no Porto, onde vivi com o meu marido. Casei, muito cedo, ainda aluna da escola de enfermagem da Cruz Vermelha. O meu marido era militar pelo que passei alguns anos entre as comissões dele, no Ultramar, e periodos de solidão, em Lisboa. Com o 25 de Abril, os anos inebriantes de liberdade, a incerteza do final da guerra colonial, os problemas económicos e a colocação do meu marido no Porto, pedi transferência no hospital e mudámo-nos, todos, para a Invicta, onde recomeçámos nova vida.
O tempo foi passando, os filhos ocupando o espaço afectivo que o meu marido nunca ocupou e quando dei por isso, estava sózinha. Os filhos tinham crescido e saído de casa e o meu marido, também, quase lá não parava. Acabei por descobrir que tinha uma outra familia e uma filha pequena. A principio fiquei revoltada, chocada mas, no fundo, não admirada. Pedi-lhe que escolhesse entre as duas familias e, ele, ficou com a filha pequena.
Entretanto, com 37 anos de serviço e 51 de idade pedi para passar à reforma. Rumei à terra onde nasci, onde estudam dois dos meus filhos e onde vivi o amor mais conturbado da minha vida (quase acabou com ela!). Não trouxe nada comigo para além do romeu- o meu cão e as 2 gatas. Aluguei o r/ch direito. Sinto-me em paz comigo mesma.Ainda me sinto bonita. Quero recomeçar uma nova vida...

quarta-feira, junho 22, 2005

Não consigo partir...

Pedi ao taxista que me deixa-se um pouco antes da entrada do prédio...ainda não escureceu na totalidade e o ar tem aquele peso que adivinha uma trovoada. Não consigo fugir...quero e não consigo...acho que a minha vontade era ser esquecida por todos os que me conhecem, mas não ir para longe...poderia recomeçar mesmo ali...
Recuso a ajuda para me levar as malas até ao prédio...prefiro ser eu a fazê-lo...
Abro os estores e as janelas mal entro em casa, cheira a solidão e isolamento, o meu cheiro antes de ir embora estes dias...recarreguei baterias...deixo-me cair em cima da cama enquanto as sandálias fazem um baque ao cair no chão despido...estou de volta...será que vou conseguir fazer as mudanças a que me propus? Dentro da bolsa o novo telemóvel que apenas a familia e os amigos mais chegados têm o número...dentro da gaveta o velho telemóvel desligado faz tempo...mostrando que quer ser esquecido ou que partiu...preciso de tempo para me habituar á ideia...

Vende-se

ainda não sei quel é o meu andar, só sei que é o qualquer coisa esquerdo. eu só moro em esquerdos, manias, superstições, chamem-lhe o que quiserem. Vou vender este andar. Não que não goste de aqui viver, ou passar, pois viver realmente nunca vivo, passo por aqui sempre de partida... as raízes em terra a mim não me fixam. aceito propostas, não quero muito dinheiro, só quero estar solta.

terça-feira, junho 21, 2005

"A LISTA"!

Exmos Srs inquilinos
Aqui fica a lista dos apartamentos ocupados. Confesso que não sei o nome próprio de alguns dos ocupantes pelo que peço que mo façam chegar, juntamente com qq reclamação relacionada com a alocação:

cave- João escuro

r/ch esq - margarida, a porteira
r/ch dto - vago

1º andar (4 apartamentos vagos)

2º andar esq - Madalena e liliana "lissinha"
dto - Paula "pat"
frent e tras. - vagos

3º andar esq. "menina marota"
dto. Rita e joão "impressãodigital"
frent e tras. - vagos

4º andar esq - vago
dto - "isa-xana"
frent e tras. (vagos)

5º andar esq. -vago
B (dto?) - Alexandra "Xana"
C (frente?) - Maria "mariaSantos"
tras. (vago)

6º andar esq. - André e o gato Benjamim "andré ferreira"
dto - Ernesto "Blackpage"
frent e tras. (vagos)

7º andar - esq. - Estrela do mar "maresia"???
(3 apart. vagos)

8º andar - (4 apart. vagos)

9º andar - (4 apart. vagos)

10º andar- esq - Mário "MrX"

11º andar esq frent - Marília "mar"
dto frente- "Hrrada"
tras. - Prof. "Nandita"

13º (cobertura? Aproveitamento de sótão?) - Inês "just-blue"


Os possiveis novos inquilinos podem escolher de entre os apartamentos vagos (q sorte, podem escolher a vizinhança!)

margaida, a porteira

segunda-feira, junho 20, 2005

agora é oficial!

Fui contactada pela administração do prédio para a eventualidade de tomar posse do cargo. Depois de alguma ponderação, lá aceitei. SE aparecerem novos inquilinos ou, no caso dos existentes, necessitarem de alguma coisa podem deixar na minha caixa de correio cujo endereço é:

mar.mar@sapo.pt

Não sei o que é que os inquilinos querem fazer quanto às regras do anterir porteiro por isso as transcrevo e aceito sugestões para apossível adaptação de algum dos pontos durante toda, esta, semana.
Embora tivessemos introduzido alguma entropia, no prédio, desde a morte do porteiro, isso não me foi desagradável, o que parece que aconteceu com alguns dos inquilinos (o que foi pena). Assim sendo relembro as regras anteriores a partir das quais formularemos outras ou as manteremos, depende das vossas opiniões.

"Ponto 1

Os novos inquilinos que forem chegando, devem ter o cuidado de não ocuparem espaços que já estão ocupados.

Ponto 2

Os inquilinos devem ter em conta a existência uns dos outros,(desta forma não se repetem personagens ou não se criam personagens que coloquem em causa a existência das outras ou seja, se já existe um porteiro não podem existir dois, ou se já existe uma mulher da limpeza com uma filha, não se passa de repente a ter uma mulher da limpeza com um filho. Não estamos nas novelas da tvi)

Ponto 3

Será complicado para todos, se escrevermos todos os dias, já que depois acabamos por não nos conseguirmos ler uns aos outros, logo, desde já pedia que após um inquilino ter escrito, se esperasse dois dias para escrever novo texto. Óbvio que isto pode ser levado a discussão se assim o entenderem. Os inquilinos que estão para chegar(aqueles que já me visitaram na portaria), já estão informados dos dias para colocarem os seus textos.) Este ponto está aberto a sugestões de forma a encontrarmos uma melhor solução entre todos.

Ponto 4

Continuam em aberto vários espaços para serem ocupados.


Ponto 5

Podem trazer animais, no entanto, nada de dejectos à porta do prédio, ou nas escadas do mesmo.

Ponto 6

Além do porteiro, será nomeado um zelador da confiança do porteiro. Poderá ainda ser criada uma comissão de moradores, mas creio que esse será um ponto a discutir na primeira reunião

Ponto 7

O barulho. A partir da meia noite façam o menor ruido possível( não liguem, o porteiro ficou um pouco surdo depois de ser apanhado num rembentamento de bomba no ultramar)

Ponto 8

A portaria está sempre aberta.(via email, ou directa através do blog)"

Na generalidade, com excepção do ponto 3, temo-nos portado bem. Portanto é, precisamente, este ponto que deixo à discussão. Devemos ter em atenção que o prédio precisa de estar vivo e a mexer. Caso se opte por colocar os textos de 2 em 2 dias tb peço ajuda para encontrarmos o melhor plano para que todos tenhamos uma oportunidade. Imaginem que limitamos a altura do prédio a 11 andares com 4 apartamentos cada e que os ocupamos todos. Ficamos com 44 inquilinos...

Fico a aguardar

margarida



sexta-feira, junho 17, 2005

João: hoje falo eu :)

O prédio tema andado calmito! Vejo poucos vizinhos no elevador, não encontro ninguém nos corredores! será do calor?

Hoje quando me levantei, preparei-me para ir trabalhar, mas não consegui sair de casa, sem antes me voltar a deitar ao lado dela. Fiquei a ve-la dormir, estava calma, leve, bonita! Não consegui desviar os olhos do corpo dela, percorri-o, apreciei-o...vi que a amo mais do que tudo! Quis abraça-la mas tive medo de acordar, então apenas percorri a minha mão pelos cablos dela, beijei-lhe o ombro despido, beijei-lhe os lábios... ela acordou e disso "Bom dia!" ainda meio estremunhada pelo sono!
Pousei-lhe a mão nos olhos e disse: "Dorme!" e ela qual criança sonolenta virou-se de lado e continuou a dormir, coçando o nariz com as costas da mão...como sempre faz antes de adormecer!

Sai de casa, meti-me no elevador e fui para o hospital...vou chegar atrasado, mas o meu dia já está ganho!

João, 3º dto

quinta-feira, junho 16, 2005

Ernesto Saraiva consegue sentir?

Já olho para esta mulher que jaz ao meu lado como outra mulher do passado. Já a amei da mesma forma que aconteceu com todas as outras que passaram pela minha vida. Começa por onde e acaba quando? Os inícios são permanentemente todos iguais. Sempre a mesma simpatia inicial. Um sorriso. Um olhar também ele lânguido. Depois um flirt. Para ver no que vai dar isto tudo. Um copo num bar qualquer de uma esquina envidraçada com letras a neon e já passamos aqui para o meu apartamento. Depois amo-a. Com toda a intensidade que é possível para um homem entroncar algo deste cariz dentro dele mesmo. Tudo centrado na minha tesão. Sinto-me entesar-me todo e lá passamos para os princípios do fim. A ritmos sincopados com os dela. Depois acabou. Ela pressente-o no momento em que me venho. E eu ainda acredito em nós naqueles segundos que nunca mais acabam. Mas depois termina a minha crença naquele amor. Acabou. Acabou tudo. Venha outro assim.

segunda-feira, junho 13, 2005

Comunicado

Boa tarde a todos, ou boa noite ou bom dia, o que quer que seja. Ora bem, é com alguma satisfação que observo que este espaço já ganhou vida própria e uma dinâmica muito especial, no entanto observo que aconteceram algumas coisitas que não era suposto acontecer.
Não se preocuparam nem um pouco em respeitar as regras que tinham sido estabelecidas, o que gerou uma total anarquia na publicação de textos, o que por sua vez me foi manifestado em alguns dos emails que recebi de alguns dos colaboradores. Assim não pode ser. Sendo assim resolvi nomear mais um admnistrador. Ficarão a conhecê-lo nos próximos dias.

Ps: Senhora porteira, envie-me um email, para discutirmos os seus honorários.

Passem bem.

sexta-feira, junho 10, 2005

Mais um dia...

Soube que a D.Margarida vai voltar a estudar!! Fiquei contente por ela e já lhe ofereci ajuda, afinal tenho algum tempo livre! :)

O meu programa de rádio começou. Esta semana entrevistei um músico de rua, um artista do Conservatório que não consegiu manter-se em linha recta, vive agora na rua, toca para quem passa, estende a mão e pede... ainda por cima tem um talento excepcional...desperdiçado nas malhas da droga!!!
No próximo programa terei em frente ao microfone um contador de histórias para crianças! E já fui ao 5º B, convidar a artista, a pintora, minha vizinha...estou à epsera da resposta!

O João anda empolgado com a gravidez, sempre teve um fascinio por pediatria,mas acabou por optar por cirurgia...
O Sebastião já está melhor, ficou magrinho o meu "cãozinho", mas recupera já... ontem fartou-se de correr...atrás de um gato, fiquei fula por andar atrás dele!!

AH! a fechadura foi mudada!!

Toco à campainha, "Como recompensa por teres reclamado da fechadura, toma lá um estetoscópio! :) "

Rita

terça-feira, junho 07, 2005

Segredos e pistas

Sobre que assunto se debruçou na sua ultima reportagem fotográfica, qual foi o tema? Também gosto muito de fotografia, embora não tenha qualquer conhecimento sobre o assunto.

Estou muito agradecida a todos os inquilinos por se mostrarem tão simpáticos comigo. Confesso que tenho pouca pratica da profissão mas estou, sempre, disposta a aprender e a fazer novas experiências.

A fechadura da entrada foi trocada pois a anterior já não tinha arranjo pelo que se pede aos inquilinos para passarem na portaria e levarem a nova chave. O menino mário tinha-se queixado que esteve mais de 10 minutos a tentar abria a porta.

Menina TMara fazia muito gosto em lhe alugar um apartamento cá no prédio. Ainda por cima fiquei com a ideia de que é do Porto, tal como eu, é verdade?

Quanto ao sr. joão escuro... não sei que idade terá mas parece-me dificil que seja o filho que o sr. josé nunca encontrou... Talvez o facto de terem a foto em comum ( a mim pareceu-me da mesma pessoa mas, como só a vi de relance, posso estar redondamente enganada), não sei como o explicar.

Passei naquela escola que existe ao fim da rua. Disseram-me que podia acabar a secundária através de unidade capitalizáveis. Que, na melhor das hipóteses, posso acabar os três anos em menso tempo. Por outro lado, falaram-me na possibilidade de me candidatar à universidade através de exame ADOC, uma vez que tenho mais de 25 anos. Devem-me ter achado muito empenhada neste assunto! Não sei se consigo estudar sozinha todas as matérias que são necessárias... Gosto de arqueologia...

segunda-feira, junho 06, 2005

O misterio da fotografia

Estou fora nem há uma semana e quando regresso eis que soube agora das novidades neste predio: a Margarida na Portaria, um vizinho novo no 6º andar, um amor entre dois jovens...
Falando da Margarida, fiquei muito feliz por ela e por nós, porque sei que vai dar conta do recado!
E por falar nela, lembro-me logo do Sr José, parece que até agora as investigações ainda nao deram em nada...
Parece-me tambem que o senhor que comprou o 6º andar, só cá vem aos fins de semana e é caçador.
E a Liliana e o Mario, dois jovens apaixonados, o amor´quando é assim como o deles vale a pena vivê-lo!
A Margarida tambem me disse que encontrou nas coisas do Sr José a foto da senhora que ele procurou no Porto e nunca encontrou...ao que parece desse amor nasceu uma criança, que o Sr José nunca conheceu... eu bem dizia que aquele olhar triste e a enorme solidao podiam muito bem ser devidos à dor de um coração despedaçado por um grande amor.
Mas mais intrigada fiquei quando ela me disse que viu essa foto cá no predio, sim, viu-a na entrada do apartamento da cave. Ainda nao me cruzei com o habitante da cave mas pelo que a Margarida me disse parece que ele evita cruzar-se com os habitantes do predio. Como veio ele cá parar? será que sabia que o Sr José era pai dele? é muita coincidencia ter vindo parar a este predio...é ele de certeza o filho que nasceu desse amor do Sr José.
Já disse a Margarida que vou tentar saber mais desse rapaz...

há coincidências

Fui para o Alentejo passar o fim-de-semana. Não foi por sugestão minha que escolhemos aquela cidade para nos alojarmos. Concordo que é um cidade bonita, com um centro histórico manuelino extremamente bem conservado. Adorei a pousada em que pernoitámos. Á noite, escolhemos, para jantar, um restaurante "ao calhas", nem sequer o mais recomendado nos guias turísticos. Ao entrar deparei-me com a minha velha paixão que eu pensava adormecida. Sentei-me bem de frente para ele embora tentando dessimular. Não pudemos evitar um constante encontro de olhares que, saltando para a mesa, ali fizeram amor, despudoradamente.
Foi por esta razão que voltei ao meu retiro, neste prédio, para me tentar rencontrar. Se não a minha serenidade pelo menos a representação dela...

mar

sexta-feira, junho 03, 2005

vida de todos os dias...

Tenho andado cheia de trabalho, finalmente consegui um programa meu lá na rádio! Vai ser um trabalho de entrevistas e de música lá pelo meio, ainda não sei bem... mas vou querer entrevistar alguém não muito conhecido...talvez a vizinha artista aqui do prédio, acho que vou falar com ela!
No outro dia, fui como João tomar café com o miúdo que estuda medicina...simpático ele, estudioso, parece ter queda para ser médico...ou então é da paixão, aquela Liliana esta-lhe a dar a volta à cabeça!!!
Quanto à morte do porteiro continua tudo em suspense, não se sabe de nada...tenho pena que assim seja. O lugar dela não está vazio, gosto da nova porteira, não tem um olhar feliz, mas esforça-se por não ter um sorriso amarelo!

o meu Sebastião anda a travar amizade com um outro cão aqui do prédio, mas ha dois dias que anda em baixo, tenho que o levar ao veterinario...
E quem também tem que ir ao médico sou eu... este que tenho cá em casa pôs-me com enjoos e vomitos...mas sinto-me feliz!!!

quinta-feira, junho 02, 2005

In Between Drems

Estudar Bioquímica… Passo os meus olhos de substrato a produto… De enzima a cofactor… Os meus olhos dançam de nome complicado para nome mais complicado. Entro no ciclo de Krebs e deixo-me levar pelo caminho a que ele me conduz. Ando às voltas, às voltas e às voltas. Nada muda dentro de mim… Não admira que lhe chamem “ciclo”… Mas as voltas entre o ácido oxaloacético e o ácido cítrico transformaram-se em voltas e voltas à cadeira. Paro de girar. Estou tonto! Tonto de estudar? Talvez não…
Levanto-me da cadeira e paro diante do espelho… Estou cansado. Manifestamente cansado. Atravesso o meu quarto/sala/cozinha e entro na outra divisão do meu modesto apartamento – a casa de banho.
Tiro as roupas e entro na banheira para um duche refrescante. As ideias começam a organizar-se lentamente na minha cabeça. Os problemas parecem encolher com o contacto da água. Saio da banheira, seco-me com a toalha e enrolo-a à volta da cintura.
Volto a entrar no quarto e a campainha toca. Dirijo-me à porta, e abro-a ligeiramente. Do outro lado, vejo, numa fracção de segundo, uma rapariga morena, de cabelos lisos, olhos grandes e brilhantes, que ficam ainda maiores ao captarem a imagem projectada pela minha pessoa.
Eu deixo que a minha face se molde num sorriso e digo:
— Liliana!...
— Ah! Desculpa! Eu vinha só devolver-te o CD do Jack Johnson!...
Sim… Já nos conhecemos… No outro dia, encontrei-a a entrar no prédio quando eu ia a sair. Acabei por me apresentar e perguntar-lhe o nome. Depois perguntei-lhe se ela não queria vir dar um passeio a pé comigo. Ela aceitou e fomos para a baixa trocar palavras, pensamentos, gostos, silêncios. Acabei por lhe emprestar o CD “In Between Drems” de Jack Johnson, quando cheguei a casa.
— Deixa estar! Não faz mal! Entra, entra!
— Não, não! Tu estás ocupado!
— Ocupado? Já acabei o meu duche!
— Mas deves ter que estudar…
Ah, sim… O estudo… Essa corda que nos puxa e impede de voar para mundos imaginários.
— Não! A neoglicogénese pode esperar! — digo eu — Entra e não repares na desarrumação, por favor… Espera só um bocadinho para eu vestir umas calças… E desculpa lá a figura em que estou!
— Não faz mal! Eu tapo os olhos… — diz ela, com a voz hesitante e corando ligeiramente.