sexta-feira, abril 29, 2005

Madalena,a rapariga do2ºA

Sentada junto ao peitoril da minha janela,observo o mundo lá fora com uma leve tristeza no olhar.Um rude sentimento de melancolia apodera-se do meu peito,fazendo-me soltar um longo,grave suspiro de desilusão,de trsiteza,um suspiro por todo o ressentimento e mágoa guardados no coração.A verdade é que esta terra,este mundo,não me pertence;ele não é meu,e não reconheço as janelas de vidro nem as portas de carvalho deste prédio que agora habito.Os meus pais(porque é que nas histórias de adolescentes são sempre os pais os culpados de tudo?)convenceram-me a vir para aqui(OK,não me convenceram completamente...)argumentando com todas as razões do mundo:«arranjarás novos amigos,temos mais espaço na casa nova,vais ver que vais gostar do sítio,o bebé vai poder ter um quarto só para ele...».E eu,tola como sou,concordei em segui-los,por razão nenhuma.
Como podem ter percebido pelo parágrafo anterior,a causa desta mudança é a chegada de um novo elemento à nossa família.A minha mãe descobriu que estava grávida à sete meses atrás.A partir daí,tem sido uma confusão sem fim:comprar carrinhos e brinquedos para o rebento que aí vem,resgatar da grande arca de família as nossas(minhas e da minha irmã Liliana)roupas de quando erámos bebés,arranjar o quarto para a criança...Esta é uma rotina que,confesso,não me desagrada totalmente.Ver a mãe a pegar em calças em miniatura e camisolas do tamanho de um punho,peças que antigamente eram minhas ou da Liliana e que fazem parte dos grandes tesouros da família,encostando a roupa ao peito com um leve suspiro,é algo que me enche de ternura e de afecto.Antes,quando vivíamos num pequeno estúdio mesmo no centro de Lisboa,a vida era mais simples e mais colorida,mas também menosdoce e mais severa.
Isto de ter de partilhar brinquedos e afectos e tudo o mais não é propriamente novidade para mim.Tenho uma irmã mais velha,chamada Liliana,que faz dezoito anos em Setembro.Eu e ela somos as maiores amigas,e as maiores inimgas também.Partilhamos o quarto,partilhando também os segredos,os sonhos,as angústias,os medos.É por isso que me sinto extremamente próxima dela,de um modo que por vezes se torna angustiante.É como se eu a sentisse respirar,mesmo quando estamos separadas.Os segredos dela estão sempre presentes em mim e isso é algo impossível de ignorar.Temos idades e feitios diferentes e aquilo que eu considero correcto muitas vezes é visto por ela como o maior crime jamais cometido.Isto leva a que tenhamos as nossas disputas e as nossas discussões.Mas,no final do dia,nunca me deito sem receber dela um abraço de boa noite e sem ter a certeza de que tudo está bem.
A verdade é que,mesmo não sentindo nenhuma espécie de afeição por este prédio,já tive oportunidade de observar alguns dos outros inquilinos.Parecem-me pessoas genuinamente boas e estou certa de que não será difícil conviver com eles.E sinto que passarei neste local alguns dos melhores momentos da minha vida,senão mesmo os melhores de todos.

8 comentários:

isa xana disse...

mas nao era so para postar de dois em dois dias... estou confusa!

Vera Cymbron disse...

Passei pela primeira vez, não tive tempo para ler tudo...mas gostei do que li. Parabéns a todos!
Jinhos

impressaodigital disse...

com a chegada do bébé as coisas tornam-se mais divertidas! :)

contadordehistorias disse...

Ora vamos lá ver,antes de postar devem ler-se as regras.Já estamos a quebrar regras.Temos de nos organizar~, senão isto acaba numa confusão que ninguém se percebe.

fora isso, benvinda ao prédio


o porteiro

Cassiopeia disse...

Uma nova moradora cheia de esperança e com um mano a caminho.
Muito bem!
Beijos

Hrrada disse...

Lovely ;)*

MrX disse...

hmmm...
Gosto desta ideia... E uma irmã com quase 18 anos... Vamos lá ver o que isto dá... ;)

Beijos,
Mário

Anónimo disse...

Cá para mim bateste com a cabeça nalgum sitio ou andas a ver filmes a mais