ENCONTROS
Dos meus filhos, os dois do meio estão a estudar em Lisboa. A mais nova ficou no Porto e, o mais velho, trabalha em Viana do Castelo.
A porteira continua a olhar-me como se me conhecesse de algum lugar... Se mete conversa refere, inevitavelmente, "conheço-a de qualquer lado!" Ainda ontem mo voltou a repetir quando veio cá a casa pedir-me para ir dar uma injecção aos gatos da professora do 11º. Fiquei admirada com o pedido. A verdade é que não sei nada sobre enfermagem veterinária mas, como diz a minha mãe, "tirando a alma e o feitio somos como os animaios!" e lá me dispus a cooperar.
Enquanto esperava pelo elevador no hall passou um homem, com ar de quem estava a ser perseguido por um fantasma, que se esgueirou pela escada abaixo, silenciosamente. De repente fui assaltada pela recordação do estudante de medicina que eu conhecera à muito tempo!...
Subi no elevador com um homem dos seus 509 anos, de fato, cabelo quase todo branco, a barba bem aparada, os olhos... Reparou que eu o estava a admirar. Olhou-me de cima a baixo, de forma descarada, o que me fez corar (uma mulher da minha idade!...). Fixou os seus olhos nos meus. Sustive-o. Parecia o jogo do gato e do rato para saber quem desistia primeiro. Sentia o rosto cada vez mais encarnado mas, nenhum de nós parecia querer baixar os olhos, o tempo parecia uma eternidade... O elevador parou no &º andar e ele saiu. Descontraí, respirei fundo e apeteceu-me escorregar, devagarinho, ao longo da parece do elevador, e sentar-me no chão.
Os gatos esperavam por mim. A professora tem estado fora e eles têm estado aos cuidados da Inês do 13º. Afinal não havia nenhum doente era, apenas, a altura da contracepção. Uma injecção sub-cutânea de um progestativo e lá ficaramm femeas e machos prontos para um são convívio durante os próximos seis meses.


